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Monitorando a exploração garimpeira de ouro no norte do mato grosso no período 2009-2018: dinâmica e impactos ambientais

Clique no Nome para Conhecer o Integrante: Wladimir Hermínio de Almeida e Lucélia Nobre Carvalho

A partir dos anos 2000 os garimpos de ouro (no meio técnico denominados Mineração Artesanal e de Pequena Escala de Ouro - MAPEO) cresceram continuamente no Brasil e no mundo principalmente em função da alta no preço do metal. Em função disso foi impulsionada também a capacidade da atividade de impactar o ambiente de forma negativa com abertura de frentes de lavra em áreas de florestas primárias, escavações desordenadas e poluição e degradação do solo e de cursos de água. Esse fenômeno parece ter tido ressonância no Norte de Mato Grosso, renovando a importância sócio econômica dessa modalidade e a preocupação de seus efeitos sobre o ambiente no âmbito regional. Isso implica na necessidade do monitoramento contínuo e do controle do avanço dos empreendimentos minerários no espaço geográfico. Nosso estudo teve como objetivo levantar e compilar dados sobre a ocorrência de garimpos de ouro, no período de 2009 a 2018 no norte do Mato Grosso, compreendendo 15 municípios, dentre os quais se destacam Peixoto de Azevedo, Novo Mundo, Nova Bandeirantes, Apiacás e Alta Floresta. Efetuou-se o mapeamento da atividade através de imagens de satélite tendo como resultado a identificação de oito zonas garimpeiras, a constatação de um crescimento geral de 232% na área explorada. A expansão da atividade foi relacionada com um aumento de 166% na degradação de cursos de água e de 191% nas áreas de preservação permanente anexas aos mesmos, sendo que 94% dessas áreas não foram recuperadas após três anos de seu abandono. Constatou-se o avanço das frentes de lavra mineral em direção a áreas protegidas no período de 2016 a 2018, ameaçando o Parque Estadual do Cristalino no município de Novo Mundo, a Terra Indígena Kaiabi em Apiacás e o Parque Nacional do Juruena em Nova Bandeirantes, local este em que ocorreu invasão de fato. Esse é o primeiro estudo espaço temporal a abordar a MAPEO no Norte do Mato Grosso de forma integrada. Os resultados comprovam que os garimpos de ouro têm crescido nos últimos onze anos com tendência a aumentar sua importância em momentos de aumento do preço do ouro. Sua característica de válvula de escape do mercado de trabalho também indica que momentos de crise econômica e desemprego favorecem o afluxo de mão de obra a partir de outras atividades contribuindo para sua expansão. Na atual conjuntura da crise econômica em função da pandemia todos esses fatores estão presentes, prenunciando agravamento dos danos ambientais nas zonas garimpeiras.

Garimpo margem do Rio Peixoto de Azevedo
Foz_de_igarapé_que_passa_em_garimpo_no_
Descarga efluentes de garimpo - Nova Ban
Zonas garimpeiras.jpg
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